A Confirmação e a beleza de Deus
Em breves linhas, esquematizarei uma Carta Pastoral de Dom Bruno Forte, bispo, reconhecido teólogo italiano. Ele trata nesta Carta, em forma muito simples, o que é a Crisma. Acho interessante aproveitar seus ensinamentos.
O Que é a Crisma?
Segundo o que entendemos por Sacramento – sinal eficaz do agir divino – a Crisma é o Sacramento onde se doa “o selo do Dom do Espírito Santo”. O Espírito do Ressuscitado toma posse do coração, realizando nele o que diz o apóstolo Paulo na Carta aos Romanos: “E a esperança não decepciona, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” (5,5). Podemos então compreender a grandeza deste dom que manifesta quanto é importante e quanto seja difícil amar autenticamente, descobrindo no intimo de cada um de nós a necessidade de uma força que “venha do alto” e nos faça amar muito além das nossas fragilidades e medos. É uma necessidade que se apresenta “urgente”, mesmo depois de termos recebido o Batismo. Lembremos como isto acontecia já nos primeiros tempos da pregação apostólica (cf. Atos 8,14-17).
Quem é este Espírito Santo? Em Deus, que é Amor, há um Eterno Amante, o Pai, sempre e para sempre fonte do amor; há um Eterno Amado, o Filho, que acolhe o amor e o agradece (ensinando-nos que também o receber é divino); e há o Amor Pessoal, o Espírito, doado pelo Pai e pelo Filho, que, ao mesmo tempo, une o Pai e o Filho e abre o Amor Trinitário para derramar-se esplendorosamente na criação. Os Três são Um na comunhão profundíssima do amor divino, o único Deus na Trindade das Pessoas. Quando o Espírito toma posse, habita em nós, age ao mesmo tempo como vinculo de unidade e fonte de liberdade: une nosso coração ao Pai, nos apresenta Jesus e nos impulsiona a doar-nos aos outros no amor, valorizando plenamente nossa liberdade (cf. Gálatas 5,25). Caminha segundo o Espírito quem vive a fé, a esperança e a caridade, testemunhando aos outros com alegria e convicção a beleza sempiterna de Deus.
Como atua o Espírito Santo em quem o recebe?
O apostolo Paulo nos fala dos frutos do Espírito na Carta aos Gálatas (cf. Gálatas 5,22). Para que possamos vive-los, o Espírito derrama em nós seus dons, ajudando-nos a corresponder docilmente à chamada divina para cada um de nós.
Quais sãos estes dons? A tradição eclesial reuniu os dons que foram enumerados pelo profeta Isaías (11,1-2). A estes, foi acrescentado depois o dom da piedade, que, em certo modo une a todos na adoração humilde e amorosa de Deus. Falamos então de sete dons, como a plenitude de graça que Deus derrama em nossos corações. Nesses dons, podemos reconhecer o vigor divino que a Crisma é capaz de produzir em nós.
O Dom da Sabedora nos ajuda a contemplar a complexidade do mundo e da vida em Deus, e saborear na profundidade do relacionamento com Ele o sentido que dá luz e força a cada passo do nosso caminho.
O Dom do Intelecto nos educa para saber ler em cada situação a Sua escondida Presença e a discernir concretamente o que Ele nos pede.
O Dom de Conselho nos guia na diversidade das decisões a tomar, para que possamos escolher o que justo diante de Deus daquilo que “parece vantajoso” aos olhos do mundo, e colocar-nos decididamente a serviço dos outros com generosidade.
O Dom da Fortaleza nos ajuda a sermos fiéis ao Senhor na multiplicidade dos momentos e das estações da vida, de modo que não nos deixemos seduzir das tentações do egoísmo e de perversos cálculos para lucrar em prejuízo do próximo.
O Dom da Ciência é aquele que brota da ponderação de todos os conhecimentos sobre o mistério ultimo que envolve todas as coisas, superando a pobreza de uma visão que se detém somente naquilo que aparece: graças a este maravilhoso dom, podemos experimentar quão verdadeiro seja “que não é o conhecimento a iluminar o mistério, mas, é o mistério a iluminar o conhecimento” (Pavel Evdokimov).
O Dom de Piedade acende em nos a ternura para com Deus, nos enamora de Deus e nos faz desejar render-Lhe glória em todas as coisas. Graças a esse dom, não procuraremos apenas o consolo de Deus, mas, desejaremos também alegar-nos com sua alegria e sofrer as dores que n’Ele o pecado produz.
O Dom de Temor de Deus é a atitude que nos faz viver constantemente sob o olhar do Senhor, preocupados de que El se sinta feliz de nosso proceder antes que aos homens, porque nisto é que se encontra consolo autentico, e liberdade plena. Este dom nos faz perceber a gravidade do pecado que nos separa de Deus, única fonte de todos os bens. Os santos manifestam a plenitude do agir de todos os dons: por isso é tão belo conhecer suas vidas e deixar-se guiar pelos seus exemplos. Às vezes, um episodio da vida dos santos nos ajuda muito mais do que profundas reflexões e palavras.
É importante crismar-se, porque?
De tudo o que falamos, percebemos quão importante seja crismar-se, já que a Crisma nos leva a atingir a plenitude da “iniciação cristã” começada no Batismo: temos necessidade de sermos fortificados pelo Dom de Deus, para sermos capazes de acreditar, esperar e amar muito além de nossa fraqueza, aprender a agir em comunhão com a Igreja, para comunicar toda a beleza do Senhor.
Claro que, o Pão Eucarístico é já cume e fonte da vida cristã, nutrimento e força do agir do Espírito Santo: no entanto, tenho necessidade deste Dom pessoal do Espírito Santo, que me faz participe da luz divina a fim de reconhecer a verdade que salva e me ensina a discernir a vontade do Pai, que nos ama. Na verdade, é “Deus a confirmar-nos”, a iluminar-nos e a dar-nos força e firmeza pelo poder do Seu Espírito. Quem de nós pode amar profundamente apenas com as pobres forças humanas? É difícil. Nós precisamos, verdadeiramente, da força espiritual que Deus, só Ele, pode doar para vencer nossos egoísmos e o medo de amar até as últimas conseqüências. De fato, não é a mesma coisa receber ou não o dom da Confirmação: o Dom do Espírito, Sua “Confirmação”, Sua “Unção”, são fundamentais, muito a pesar de que não poucas vezes, pela nossa negligencia, seu fogo deve ficar escondido sob as cinzas do esquecimento. Para salvar-nos temos necessidade da misericórdia de Deus, do Seu Espírito Santo. Será na Igreja, a comunidade de fé e amor, onde o Espírito se derrama em nossos corações, é nela que recebemos a graça do Divino Consolador. Por isso, a Crisma é também “dom precioso para toda a comunidade” e não uma ação individualizada/isolada para cada crismado. Graças a este dom, somos chamados a crescer no conhecimento de pertencer radicalmente à Igreja de Jesus, de usufruir do grande tesouro de graças e bênçãos que nela existem, mas também de corresponder à responsabilidade de participar à vida da comunidade e a sua missão com todo o coração, colocando a disposição dos membros da comunidade todos os dons que Deus doa a cada um de nós.
Quando crismar-se?

Todas as idades da vida são importantes aos olhos de Deus. É importante saber que sem falsas insistências, devemos preparar-nos conscientemente para Confirmar-nos no dom do Espírito. Será o Espírito Santo a confirmar-me com a vida divina, mais do que o crismado a confirmar sua escolha para a vida cristã. Certamente, o fato de pedir a Crisma é sinal de maturidade, mas, isto não deve escurecer em nós o primado da graça, do agir do Senhor. A escolha melhor para ser Crismado é aquela que me coloca inteiramente dentro de um processo global e integral de iniciação à vida Cristã, em estreito relacionamento com o Batismo e a preparação e freqüência à mesa eucarística, depois de um ponderado percurso (no mínimo de dois anos). Assim. Podemos perceber a intima relação que há entre ser confirmado na fé e participar da mesa eucarística.
Mesmo se a pessoa a crismar-se fosse adulta, isto não isenta a exigência de uma adequada preparação, que ajude o catequizando adulto a tomar consciência do que signifique realmente “ser cristão”. Assim ele poderá participar frutuosamente da vida da comunidade, onde celebrará a páscoa do Senhor na Palavra e na Eucaristia, e inserir-se ativamente no serviço caridoso aos mais pobres e vulneráveis, no exigente exercício da caridade.
Quem são os protagonistas da crisma?
O primeiro protagonista é o crismado, que pede receber a Crisma. Este pedido deve ser livre, meditado, consciente e alegre. A preparação é missão é de toda a comunidade cristã para que ele compreenda e viva plenamente o que o Sacramento da Crisma significa: sem duvida que não podem faltar a família e a/as pessoa/as que assumem o encargo de padrinhos e madrinhas.
É fundamental pra uma frutuosa catequese crismal envolver, se possível, toda a família na preparação do crismando: seja na preparação mesmo quanto na celebração da Eucaristia no dia da Crisma e depois no decorrer da vida. À comunidade paroquial pede-se uma grande responsabilidade no fato de acompanhar os crismandos, especialmente o pároco e os catequistas que assumem o empenho de fazer crescer no crismando o sentido da presença do Espírito de Deus em sua vida.
A respeito do padrinho ou da madrinha seria ótimo que fosse a mesma pessoa que levou o crismando quando pequeno a batizar-se. Isto manifesta a unidade desses dois sacramentos no único caminho de crescimento da fé. A missão do padrinho ou da madrinha é acompanhar o crismado a crescer e amadurecer a fé, especialmente no que diz à fidelidade ao projeto do Pai e a entrosar-se responsavelmente na comunidade eclesial, apoiando-o com a oração e a companhia fraterna. Por isso, devemos superar o costume de escolher padrinhos simplesmente pela simpatia, afinidade com a família, a conveniência social ou afetiva. A Igreja de deve informar adequadamente os candidatos à crisma para que façam escolhas pertinentes.
Ente os protagonistas da Crisma, sem dúvida que a pessoa do Bispo, ministro ordinário e originário deste Sacramento é fundamental. Ele é o sucessor dos apóstolos, sinal e instrumento da unidade da comunidade cristã. Percebe-se assim que a Crisma é um valioso instrumento para acolher a Crisma como aquele sacramento que nos une mais estreitamente à Igreja, a suas origens e a sua missão apostólica. Sabemos que, se for necessário, o Bispo pode delegar um presbítero preparado e ciente da missão que realiza em nome do bispo e de toda a Igreja.
Não podemos esquecer que acima de todos os protagonistas, sem duvida, aquele que é o maior é o Senhor mesmo. O Sopro divino é um só e nos somos as velas que o direcionamos, para que nos conduza a Deus. Como diz Paulo na 2a Carta aos Coríntios: “É Deus que nos confirma, a nós e a vós, em nossa adesão a Cristo, como também é Deus que nos ungiu. Foi ele que imprimiu em nós a sua marca e nos deu como garantia o Espírito derramado em nossos corações” (1,21-22).
Para onde nos conduz a crisma?
A Crisma nos conduz para uma vida nova no Espírito. Vida que cresce progressivamente e que abre caminhos insuspeitados para descobrir nossa vocação particular na Igreja de Deus.
Devemos, por isto, descobrir humildemente os dons que Deus derrama em nossos corações, para desabrochá-los ao longo da existência. O Espírito de Deus nos prepara e nos conduz para descobrir esse relacionamento profundo, íntimo e único com Deus.
É importante por isso a perseverança na comunidade eclesial, especialmente de inserir-se em algum movimento ou grupo serio e responsável de jovens.
Assumir o sacramento da Crisma é abrir o coração a um novo horizonte de vida; iniciar com Deus uma nova história de fé e de amor que nos permita realizar coisas importantes e valiosas na vida; de modo que contemplando nossas obras, as pessoas louvem ao Pai do Céu e a sua infinita beleza e misericórdia. É muito bonito o que diz o profeta Miquéias: “Já te foi indicado, ó homem, o que é bom, o que o Senhor exige de ti. É só praticar o direito, amar a misericórdia e caminhar humildemente com teu Deus” (6,8).
Em breves linhas, esquematizarei uma Carta Pastoral de Dom Bruno Forte, bispo, reconhecido teólogo italiano. Ele trata nesta Carta, em forma muito simples, o que é a Crisma. Acho interessante aproveitar seus ensinamentos.
O Que é a Crisma?
Segundo o que entendemos por Sacramento – sinal eficaz do agir divino – a Crisma é o Sacramento onde se doa “o selo do Dom do Espírito Santo”. O Espírito do Ressuscitado toma posse do coração, realizando nele o que diz o apóstolo Paulo na Carta aos Romanos: “E a esperança não decepciona, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” (5,5). Podemos então compreender a grandeza deste dom que manifesta quanto é importante e quanto seja difícil amar autenticamente, descobrindo no intimo de cada um de nós a necessidade de uma força que “venha do alto” e nos faça amar muito além das nossas fragilidades e medos. É uma necessidade que se apresenta “urgente”, mesmo depois de termos recebido o Batismo. Lembremos como isto acontecia já nos primeiros tempos da pregação apostólica (cf. Atos 8,14-17).
Quem é este Espírito Santo? Em Deus, que é Amor, há um Eterno Amante, o Pai, sempre e para sempre fonte do amor; há um Eterno Amado, o Filho, que acolhe o amor e o agradece (ensinando-nos que também o receber é divino); e há o Amor Pessoal, o Espírito, doado pelo Pai e pelo Filho, que, ao mesmo tempo, une o Pai e o Filho e abre o Amor Trinitário para derramar-se esplendorosamente na criação. Os Três são Um na comunhão profundíssima do amor divino, o único Deus na Trindade das Pessoas. Quando o Espírito toma posse, habita em nós, age ao mesmo tempo como vinculo de unidade e fonte de liberdade: une nosso coração ao Pai, nos apresenta Jesus e nos impulsiona a doar-nos aos outros no amor, valorizando plenamente nossa liberdade (cf. Gálatas 5,25). Caminha segundo o Espírito quem vive a fé, a esperança e a caridade, testemunhando aos outros com alegria e convicção a beleza sempiterna de Deus.
Como atua o Espírito Santo em quem o recebe?
O apostolo Paulo nos fala dos frutos do Espírito na Carta aos Gálatas (cf. Gálatas 5,22). Para que possamos vive-los, o Espírito derrama em nós seus dons, ajudando-nos a corresponder docilmente à chamada divina para cada um de nós.
Quais sãos estes dons? A tradição eclesial reuniu os dons que foram enumerados pelo profeta Isaías (11,1-2). A estes, foi acrescentado depois o dom da piedade, que, em certo modo une a todos na adoração humilde e amorosa de Deus. Falamos então de sete dons, como a plenitude de graça que Deus derrama em nossos corações. Nesses dons, podemos reconhecer o vigor divino que a Crisma é capaz de produzir em nós.
O Dom da Sabedora nos ajuda a contemplar a complexidade do mundo e da vida em Deus, e saborear na profundidade do relacionamento com Ele o sentido que dá luz e força a cada passo do nosso caminho.
O Dom do Intelecto nos educa para saber ler em cada situação a Sua escondida Presença e a discernir concretamente o que Ele nos pede.
O Dom de Conselho nos guia na diversidade das decisões a tomar, para que possamos escolher o que justo diante de Deus daquilo que “parece vantajoso” aos olhos do mundo, e colocar-nos decididamente a serviço dos outros com generosidade.
O Dom da Fortaleza nos ajuda a sermos fiéis ao Senhor na multiplicidade dos momentos e das estações da vida, de modo que não nos deixemos seduzir das tentações do egoísmo e de perversos cálculos para lucrar em prejuízo do próximo.
O Dom da Ciência é aquele que brota da ponderação de todos os conhecimentos sobre o mistério ultimo que envolve todas as coisas, superando a pobreza de uma visão que se detém somente naquilo que aparece: graças a este maravilhoso dom, podemos experimentar quão verdadeiro seja “que não é o conhecimento a iluminar o mistério, mas, é o mistério a iluminar o conhecimento” (Pavel Evdokimov).
O Dom de Piedade acende em nos a ternura para com Deus, nos enamora de Deus e nos faz desejar render-Lhe glória em todas as coisas. Graças a esse dom, não procuraremos apenas o consolo de Deus, mas, desejaremos também alegar-nos com sua alegria e sofrer as dores que n’Ele o pecado produz.
O Dom de Temor de Deus é a atitude que nos faz viver constantemente sob o olhar do Senhor, preocupados de que El se sinta feliz de nosso proceder antes que aos homens, porque nisto é que se encontra consolo autentico, e liberdade plena. Este dom nos faz perceber a gravidade do pecado que nos separa de Deus, única fonte de todos os bens. Os santos manifestam a plenitude do agir de todos os dons: por isso é tão belo conhecer suas vidas e deixar-se guiar pelos seus exemplos. Às vezes, um episodio da vida dos santos nos ajuda muito mais do que profundas reflexões e palavras.
É importante crismar-se, porque?
De tudo o que falamos, percebemos quão importante seja crismar-se, já que a Crisma nos leva a atingir a plenitude da “iniciação cristã” começada no Batismo: temos necessidade de sermos fortificados pelo Dom de Deus, para sermos capazes de acreditar, esperar e amar muito além de nossa fraqueza, aprender a agir em comunhão com a Igreja, para comunicar toda a beleza do Senhor.
Claro que, o Pão Eucarístico é já cume e fonte da vida cristã, nutrimento e força do agir do Espírito Santo: no entanto, tenho necessidade deste Dom pessoal do Espírito Santo, que me faz participe da luz divina a fim de reconhecer a verdade que salva e me ensina a discernir a vontade do Pai, que nos ama. Na verdade, é “Deus a confirmar-nos”, a iluminar-nos e a dar-nos força e firmeza pelo poder do Seu Espírito. Quem de nós pode amar profundamente apenas com as pobres forças humanas? É difícil. Nós precisamos, verdadeiramente, da força espiritual que Deus, só Ele, pode doar para vencer nossos egoísmos e o medo de amar até as últimas conseqüências. De fato, não é a mesma coisa receber ou não o dom da Confirmação: o Dom do Espírito, Sua “Confirmação”, Sua “Unção”, são fundamentais, muito a pesar de que não poucas vezes, pela nossa negligencia, seu fogo deve ficar escondido sob as cinzas do esquecimento. Para salvar-nos temos necessidade da misericórdia de Deus, do Seu Espírito Santo. Será na Igreja, a comunidade de fé e amor, onde o Espírito se derrama em nossos corações, é nela que recebemos a graça do Divino Consolador. Por isso, a Crisma é também “dom precioso para toda a comunidade” e não uma ação individualizada/isolada para cada crismado. Graças a este dom, somos chamados a crescer no conhecimento de pertencer radicalmente à Igreja de Jesus, de usufruir do grande tesouro de graças e bênçãos que nela existem, mas também de corresponder à responsabilidade de participar à vida da comunidade e a sua missão com todo o coração, colocando a disposição dos membros da comunidade todos os dons que Deus doa a cada um de nós.
Quando crismar-se?
Todas as idades da vida são importantes aos olhos de Deus. É importante saber que sem falsas insistências, devemos preparar-nos conscientemente para Confirmar-nos no dom do Espírito. Será o Espírito Santo a confirmar-me com a vida divina, mais do que o crismado a confirmar sua escolha para a vida cristã. Certamente, o fato de pedir a Crisma é sinal de maturidade, mas, isto não deve escurecer em nós o primado da graça, do agir do Senhor. A escolha melhor para ser Crismado é aquela que me coloca inteiramente dentro de um processo global e integral de iniciação à vida Cristã, em estreito relacionamento com o Batismo e a preparação e freqüência à mesa eucarística, depois de um ponderado percurso (no mínimo de dois anos). Assim. Podemos perceber a intima relação que há entre ser confirmado na fé e participar da mesa eucarística.
Mesmo se a pessoa a crismar-se fosse adulta, isto não isenta a exigência de uma adequada preparação, que ajude o catequizando adulto a tomar consciência do que signifique realmente “ser cristão”. Assim ele poderá participar frutuosamente da vida da comunidade, onde celebrará a páscoa do Senhor na Palavra e na Eucaristia, e inserir-se ativamente no serviço caridoso aos mais pobres e vulneráveis, no exigente exercício da caridade.
Quem são os protagonistas da crisma?
O primeiro protagonista é o crismado, que pede receber a Crisma. Este pedido deve ser livre, meditado, consciente e alegre. A preparação é missão é de toda a comunidade cristã para que ele compreenda e viva plenamente o que o Sacramento da Crisma significa: sem duvida que não podem faltar a família e a/as pessoa/as que assumem o encargo de padrinhos e madrinhas.
É fundamental pra uma frutuosa catequese crismal envolver, se possível, toda a família na preparação do crismando: seja na preparação mesmo quanto na celebração da Eucaristia no dia da Crisma e depois no decorrer da vida. À comunidade paroquial pede-se uma grande responsabilidade no fato de acompanhar os crismandos, especialmente o pároco e os catequistas que assumem o empenho de fazer crescer no crismando o sentido da presença do Espírito de Deus em sua vida.
A respeito do padrinho ou da madrinha seria ótimo que fosse a mesma pessoa que levou o crismando quando pequeno a batizar-se. Isto manifesta a unidade desses dois sacramentos no único caminho de crescimento da fé. A missão do padrinho ou da madrinha é acompanhar o crismado a crescer e amadurecer a fé, especialmente no que diz à fidelidade ao projeto do Pai e a entrosar-se responsavelmente na comunidade eclesial, apoiando-o com a oração e a companhia fraterna. Por isso, devemos superar o costume de escolher padrinhos simplesmente pela simpatia, afinidade com a família, a conveniência social ou afetiva. A Igreja de deve informar adequadamente os candidatos à crisma para que façam escolhas pertinentes.
Ente os protagonistas da Crisma, sem dúvida que a pessoa do Bispo, ministro ordinário e originário deste Sacramento é fundamental. Ele é o sucessor dos apóstolos, sinal e instrumento da unidade da comunidade cristã. Percebe-se assim que a Crisma é um valioso instrumento para acolher a Crisma como aquele sacramento que nos une mais estreitamente à Igreja, a suas origens e a sua missão apostólica. Sabemos que, se for necessário, o Bispo pode delegar um presbítero preparado e ciente da missão que realiza em nome do bispo e de toda a Igreja.
Não podemos esquecer que acima de todos os protagonistas, sem duvida, aquele que é o maior é o Senhor mesmo. O Sopro divino é um só e nos somos as velas que o direcionamos, para que nos conduza a Deus. Como diz Paulo na 2a Carta aos Coríntios: “É Deus que nos confirma, a nós e a vós, em nossa adesão a Cristo, como também é Deus que nos ungiu. Foi ele que imprimiu em nós a sua marca e nos deu como garantia o Espírito derramado em nossos corações” (1,21-22).
Para onde nos conduz a crisma?
A Crisma nos conduz para uma vida nova no Espírito. Vida que cresce progressivamente e que abre caminhos insuspeitados para descobrir nossa vocação particular na Igreja de Deus.
Devemos, por isto, descobrir humildemente os dons que Deus derrama em nossos corações, para desabrochá-los ao longo da existência. O Espírito de Deus nos prepara e nos conduz para descobrir esse relacionamento profundo, íntimo e único com Deus.
É importante por isso a perseverança na comunidade eclesial, especialmente de inserir-se em algum movimento ou grupo serio e responsável de jovens.
Assumir o sacramento da Crisma é abrir o coração a um novo horizonte de vida; iniciar com Deus uma nova história de fé e de amor que nos permita realizar coisas importantes e valiosas na vida; de modo que contemplando nossas obras, as pessoas louvem ao Pai do Céu e a sua infinita beleza e misericórdia. É muito bonito o que diz o profeta Miquéias: “Já te foi indicado, ó homem, o que é bom, o que o Senhor exige de ti. É só praticar o direito, amar a misericórdia e caminhar humildemente com teu Deus” (6,8).
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